A Proativa RH jamais solicitará pagamentos ou taxas de qualquer natureza aos candidatos que estejam se candidatando a uma vaga.

A Proativa RH jamais solicitará pagamentos ou taxas de qualquer natureza aos candidatos que estejam se candidatando a uma vaga.

People Analytics: gestão de pessoas orientada por dados

Imagem: Magnific

Durante muito tempo, decisões de Recursos Humanos foram tomadas principalmente a partir de experiência, percepção e conhecimento sobre as pessoas. Esses elementos continuam importantes, mas, em um cenário cada vez mais complexo, depender apenas da percepção pode deixar informações relevantes pelo caminho.

Quantos profissionais deixam a empresa todos os meses? Quanto tempo uma vaga permanece aberta? Quais áreas apresentam maior rotatividade? Os colaboradores recém-contratados estão permanecendo? Quais fatores estão relacionados ao absenteísmo. Perguntas como essas podem ser respondidas com dados.

É nesse contexto que entra o People Analytics, uma abordagem que permite transformar informações sobre pessoas e processos em análises capazes de apoiar decisões mais consistentes. E existe uma ideia importante para desmistificar desde o início: People Analytics não começa com uma ferramenta sofisticada. Começa com uma boa pergunta.

O que é People Analytics?

People Analytics é o uso estruturado de dados para compreender situações relacionadas às pessoas e apoiar decisões de RH. Na prática, significa coletar, organizar, cruzar e interpretar informações para encontrar padrões que ajudem a responder questões relevantes para o negócio.

Em vez de simplesmente informar que o turnover aumentou, por exemplo, o RH pode investigar onde, quando, com quais perfis e em quais condições os desligamentos estão acontecendo. Essa mudança é importante porque transforma o dado em uma ferramenta de investigação.

O objetivo não é substituir a experiência dos profissionais de RH por números. É combinar conhecimento, contexto e evidências para tomar decisões mais bem fundamentadas.

O que People Analytics não é?

Existe uma percepção de que trabalhar com dados exige sistemas complexos, profissionais especializados em estatística ou grandes investimentos em tecnologia. Não necessariamente. People Analytics também pode começar com uma planilha bem estruturada e perguntas objetivas.

Da mesma forma, ter muitos indicadores não significa necessariamente fazer People Analytics. Um dashboard cheio de gráficos pode mostrar o que aconteceu, mas não necessariamente explicar por que aconteceu ou indicar qual decisão deve ser tomada. Também não se trata de transformar pessoas em números.

Os dados ajudam a identificar padrões, mas precisam ser interpretados dentro do contexto da organização. Uma taxa elevada de turnover em determinada área, por exemplo, pode ter causas completamente diferentes de outra área com o mesmo indicador. Por isso, análise de dados e olhar humano precisam caminhar juntos.

Por onde começar?

Para empresas de médio porte que ainda não possuem uma estrutura avançada de People Analytics, o melhor caminho pode ser começar pequeno. O primeiro passo é escolher um problema real do negócio.

Em vez de perguntar “quais indicadores de RH devemos acompanhar?”, uma pergunta mais útil seria: “Por que estamos perdendo profissionais em determinadas áreas?”

A partir daí, o RH pode definir quais informações precisa reunir para investigar o problema. Esse raciocínio evita que a área acumule dados sem saber exatamente o que fazer com eles.

1. Defina a pergunta

Comece pelo problema que precisa ser compreendido.

Pode ser:

  • aumento do turnover;
  • dificuldade para preencher determinadas vagas;
  • absenteísmo elevado;
  • baixa retenção de novos colaboradores;
  • queda no engajamento;
  • dificuldade para identificar necessidades de treinamento.

2. Organize os dados existentes

Muitas empresas já possuem uma quantidade significativa de informações, mas elas estão espalhadas em diferentes planilhas, sistemas e documentos. Antes de buscar uma nova ferramenta, vale mapear o que já existe.

Dados de admissões, desligamentos, tempo de empresa, faltas, vagas, salários, treinamentos, avaliações e pesquisas internas podem formar uma base inicial.

3. Escolha poucos indicadores

Não é necessário acompanhar dezenas de métricas logo no início. O ideal é selecionar indicadores diretamente relacionados às prioridades da empresa e acompanhar sua evolução ao longo do tempo.

4. Procure padrões

Um número isolado raramente conta toda a história. E o turnover está em 15%, por exemplo, a pergunta seguinte deve ser: 15% onde?Por área? Por cargo? Por tempo de empresa? Por liderança? Por período?

É o cruzamento dessas informações que pode revelar padrões relevantes.

5. Transforme a análise em ação

O objetivo final não é produzir um relatório.É tomar uma decisão.

Se os dados indicarem que os desligamentos estão concentrados entre profissionais com menos de seis meses de empresa, por exemplo, pode ser necessário investigar o processo de onboarding, a integração com a equipe ou o alinhamento de expectativas durante a contratação. O dado gera a pergunta. A análise ajuda a encontrar caminhos. A decisão vem depois.

Indicadores que podem fazer diferença no RH

Para empresas de médio porte, alguns indicadores podem oferecer uma visão importante sobre diferentes etapas da jornada do colaborador.

Turnover

Ajuda a acompanhar a movimentação de entrada e saída de profissionais. Mais importante do que observar apenas o percentual é entender quem está saindo, de onde, quando e por quais motivos.

Tempo de preenchimento de vagas

Mostra quanto tempo a empresa leva para preencher uma posição. Esse indicador pode ajudar a identificar gargalos no processo de recrutamento e avaliar se determinadas funções apresentam maior dificuldade de contratação.

Retenção nos primeiros meses

Acompanhar quantos profissionais permanecem após três, seis ou doze meses pode revelar problemas que não aparecem quando se observa apenas o turnover geral. Se muitos colaboradores deixam a empresa pouco tempo depois da contratação, por exemplo, vale investigar o processo seletivo e a integração.

Absenteísmo

O acompanhamento das ausências pode ajudar o RH a identificar áreas, períodos ou situações que merecem maior atenção. O indicador, sozinho, não explica a causa. Mas pode apontar onde uma investigação mais aprofundada deve começar.

Engajamento

Pesquisas de clima e engajamento podem fornecer informações importantes sobre a percepção dos colaboradores. Quando cruzadas com outros dados, essas informações podem ajudar a entender relações entre experiência do colaborador, liderança, retenção e desempenho.

Investimento em treinamento

Além de acompanhar quanto a empresa investe em desenvolvimento, é possível analisar participação, conclusão e percepção dos colaboradores sobre as ações realizadas.

Com o tempo, o RH pode buscar compreender se os treinamentos estão contribuindo para os objetivos que motivaram sua criação.

Na prática: como os dados podem mudar uma decisão

Imagine uma empresa que percebeu um aumento no turnover. A primeira conclusão poderia ser que existe um problema de retenção.

Mas, ao cruzar os dados, o RH identifica que a maior parte dos desligamentos acontece entre profissionais contratados há menos de seis meses e está concentrada em uma determinada área. A análise muda a pergunta. Em vez de criar imediatamente um programa geral de retenção, a empresa pode investigar o recrutamento daquela área, o alinhamento das expectativas, o processo de integração e a atuação da liderança.

Outro exemplo pode acontecer no recrutamento. Uma empresa percebe que algumas vagas permanecem abertas por muito mais tempo do que outras. Ao analisar os dados, identifica que determinadas posições têm baixa quantidade de candidatos qualificados.

A decisão pode então envolver uma revisão do perfil buscado, dos canais de divulgação, da proposta oferecida ou da estratégia de atração. Em ambos os casos, o dado não entrega automaticamente a resposta. Ele ajuda a empresa a fazer perguntas melhores e direcionar sua investigação.

E a tecnologia?

Ferramentas podem facilitar bastante o trabalho, principalmente quando a quantidade de informações aumenta. Dashboards, sistemas de RH, plataformas de análise e soluções de Business Intelligence podem automatizar processos e facilitar a visualização dos indicadores.

Mas tecnologia não deve ser o ponto de partida. Uma empresa pode começar com Excel ou Google Sheets, desde que tenha dados organizados, critérios claros e uma rotina de acompanhamento.

À medida que a maturidade analítica aumenta, a organização pode evoluir para ferramentas mais avançadas. O importante é que a tecnologia acompanhe a necessidade do negócio, e não o contrário.

Dados não substituem pessoas

Existe uma diferença importante entre decidir com dados e decidir apenas com dados. Recursos Humanos trabalha com pessoas, comportamentos e contextos que nem sempre podem ser explicados por uma única métrica.

Por isso, uma análise de turnover, por exemplo, pode mostrar onde os desligamentos estão acontecendo, mas entrevistas de desligamento podem ajudar a compreender as razões por trás deles.

Da mesma forma, uma pesquisa de clima pode apontar uma queda no engajamento, mas conversas com gestores e colaboradores podem ajudar a entender o contexto. People Analytics ganha força justamente quando combina diferentes fontes de informação.

O RH que pergunta melhor decide melhor

A maturidade em People Analytics não acontece de uma hora para outra. Ela começa quando o RH deixa de olhar para indicadores apenas como números que precisam ser apresentados e passa a utilizá-los para investigar problemas e apoiar decisões.

Não é necessário começar com uma grande plataforma, dezenas de métricas ou modelos preditivos. É possível começar com uma pergunta, organizar os dados disponíveis, identificar padrões e transformar os aprendizados em ações.

No fim, o verdadeiro valor do People Analytics não está em ter mais dados. Está em usar melhor os dados que a empresa já possui para tomar decisões mais conscientes, estratégicas e conectadas à realidade das pessoas.

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